No início da tarde de ontem (16/05), o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) iniciou sua Jornada de Lutas em Vitória. Cerca de 1.500 camponeses e camponesas vieram de diversos municípios do interior do estado para reivindicar melhorias de vida no campo.
“O objetivo da jornada de lutas é pautar os problemas que enfrentamos no campo e apresentar nossas propostas de alternativa ao poder público”, explicou Mário Lúcio Cordeiro, integrante da direção do MPA. Ele também ressalta que a proposta do movimento é produzir alimentos saudáveis e com qualidade para o campo e para a cidade. “No Brasil, há 14 milhões de pessoas passando fome e nossa proposta é produzir comida. Mas para isso, é necessário ter condições, subsídios. Então, reivindicamos aos órgãos públicos melhorias das condições de vida no campo”, disse Mário.
O primeiro local de reivindicação do MPA foi a Secretaria Estadual de Educação (Sedu). Os camponeses e camponesas saíram da Praça dos Namorados, na Praia do Canto, e foram em caminhada até à Sedu, onde ocorreu uma audiência com o secretário de educação, Haroldo Correa Rocha. As principais reivindicações do MPA foram a reabertura das escolas rurais, principalmente as de 1ª à 4ª série, que foram fechadas tendo em vista a política da nucleação e do transporte escolar; a adoção da pedagogia da alternância como política pública do estado; a valorização e o incentivo ao projeto de alfabetização de jovens e adultos no meio rural e a criação de uma universidade estadual.
“As atuais políticas públicas na área de educação, em grande parte, são ditadas pelas multinacionais e que não consideram a realidade vivida no campo. Isso acaba incentivando o êxodo rural”, afirmou Ana Cristina Soprani, da coordenação estadual do MPA. Ela ainda enfatizou que uma educação de qualidade é aquela que respeita a cultura camponesa e que, para isso, é preciso ter políticas públicas que considerem a participação das famílias no processo de educação.
Na audiência, o secretário garantiu ampliar a pedagogia da alternância, bem como o Programa de Jovens e Adultos, mas disse não haver no governo nenhum projeto no que se refere à construção de uma universidade estadual.
Após a audiência na Sedu, os camponeses e camponesas foram em caminhada até o Palácio da Fonte Grande, onde foram recebidos pelo governador Paulo Hartung, o vice-governador Ricardo Ferraço, o secretário de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano, Rodrigo Chamoun e o secretário de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social, Carlos Casteglione. Uma das pautas de reivindicação foi a construção de 1.000 novas habitações no campo e a reforma de 500, como política para manter as famílias no campo, contendo o êxodo rural.
Na ocasião, o governador garantiu ser contrário à criação de um parque no município de Águia Branca, fato que expulsaria muitos camponeses da região e se colocou favorável à criação de uma Associação de Preservação Ambiental no local.
A Jornada de Luta do MPA continua hoje e conta com uma audiência na Secretaria Estadual de Agricultura (Seag) e com a entrega de 4 toneladas de alimentos produzidas nas pequenas propriedades dos camponesas e camponesas do MPA para famílias da periferia de Vitória.

Escrito por aexcom