Mulheres Capixabas são agredidas ao reivindicarem seus direitos

Batalhão de Missões Especiais e Polícia Militar repelem ato de mulheres na sede do Governo do Estado. 

Após a Marcha de comemoração e protestos do Dia Internacional da Mulher, 08 de Março, realizada ontem em Vitória, um grupo de cerca de 200 pessoas das comunidades indígenas, quilombolas e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), permaneceram acampadas em frente ao Palácio da Fonte Grande, sede do governo do Estado, cobrando uma audiência com o governador Paulo Hartung. 

As manifestantes pediam uma audiência imediata com o governador para discutir uma pauta de reivindicações referentes aos direitos das mulheres e o rumo político e econômico que o governo estadual tem dado ao povo capixaba. Durante a manhã, após uma atividade cultural e uma mesa para a discussão da conjuntura atual do Estado com a ex-deputada Brice Bragato (Psol-ES) a Polícia Militar e o Batalhão de Missões Especiais (BME) impediu a entrada dos manifestantes no Palácio da Fonte Grande por meio da força física. 

Persistência: Após uma série de discussões realizadas na noite anterior para decidir o rumo da manifestação, as entidades lideradas pelo Fórum de Mulheres resolveram permanecer acampadas em frente à sede do governo do Estado, na mesma noite a segurança do Palácio não havia permitido a fixação de acampamento no estacionamento do Prédio. As mulheres fizeram vigília durante a madrugada e a partir das sete da manhã retornaram ao protesto. 

Violência contra a Mulher: Cerca de 30 guardas da Polícia Militar faziam a segurança do prédio não permitindo a passagem de manifestantes. Ao tentarem entrar à força no Palácio, cerca de 70 homens do Batalhão de Missões Especiais (BME) se posicionaram em frente ao prédio e contiveram o ato das manifestantes a pontapés, cotoveladas e golpes de cassetetes. Gilsa Barcelos, do Fórum de Mulheres destacou que “ao tentarmos empurrar a porta para entrar, os policiais do BME avançaram com força bruta agredindo os manifestantes”. Cirléia Tavares, componente do Sindicato dos Trabalhadores
em Educação Pública do Espírito Santo (Sidiupes), com um hematoma no braço, disse não saber de onde veio a pancada, que quando percebeu “haviam vários polícias  deferindo socos e golpes de cassetete”.
 

Perseguição? Uma coisa interessante a se observar nesses atos que vem sendo realizados por entidades e movimentos sociais nos últimos tempos, é como o governo vem reagindo a isso. Nas últimas manifestações estudantis pelo Passe Livre e o decréscimo do preço da passagem, assim como nesta Marcha das Mulheres, não faltaram funcionários do governo estadual tentando fotografar o rosto dos manifestantes e também filmar os atos realizados por grupos organizados. 

 

Por Haroldo Lima – Agência Experimental de Comunicação

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