MPA inicia jornada de lutas no Espírito Santo.

Maio 19, 2007

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No início da tarde de ontem (16/05), o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) iniciou sua Jornada de Lutas em Vitória. Cerca de 1.500 camponeses e camponesas vieram de diversos municípios do interior do estado para reivindicar melhorias de vida no campo.

“O objetivo da jornada de lutas é pautar os problemas que enfrentamos no campo e apresentar nossas propostas de alternativa ao poder público”, explicou Mário Lúcio Cordeiro, integrante da direção do MPA. Ele também ressalta que a proposta do movimento é produzir alimentos saudáveis e com qualidade para o campo e para a cidade. “No Brasil, há 14 milhões de pessoas passando fome e nossa proposta é produzir comida. Mas para isso, é necessário ter condições, subsídios. Então, reivindicamos aos órgãos públicos melhorias das condições de vida no campo”, disse Mário.

O primeiro local de reivindicação do MPA foi a Secretaria Estadual de Educação (Sedu). Os camponeses e camponesas saíram da Praça dos Namorados, na Praia do Canto, e foram em caminhada até à Sedu, onde ocorreu uma audiência com o secretário de educação, Haroldo Correa Rocha. As principais reivindicações do MPA foram a reabertura das escolas rurais, principalmente as de 1ª à 4ª série, que foram fechadas tendo em vista a política da nucleação e do transporte escolar; a adoção da pedagogia da alternância como política pública do estado; a valorização e o incentivo ao projeto de alfabetização de jovens e adultos no meio rural e a criação de uma universidade estadual.

“As atuais políticas públicas na área de educação, em grande parte, são ditadas pelas multinacionais e que não consideram a realidade vivida no campo. Isso acaba incentivando o êxodo rural”, afirmou Ana Cristina Soprani, da coordenação estadual do MPA. Ela ainda enfatizou que uma educação de qualidade é aquela que respeita a cultura camponesa e que, para isso, é preciso ter políticas públicas que considerem a participação das famílias no processo de educação.

Na audiência, o secretário garantiu ampliar a pedagogia da alternância, bem como o Programa de Jovens e Adultos, mas disse não haver no governo nenhum projeto no que se refere à construção de uma universidade estadual.

Após a audiência na Sedu, os camponeses e camponesas foram em caminhada até o Palácio da Fonte Grande, onde foram recebidos pelo governador Paulo Hartung, o vice-governador Ricardo Ferraço, o secretário de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano, Rodrigo Chamoun e o secretário de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social, Carlos Casteglione. Uma das pautas de reivindicação foi a construção de 1.000 novas habitações no campo e a reforma de 500, como política para manter as famílias no campo, contendo o êxodo rural.

Na ocasião, o governador garantiu ser contrário à criação de um parque no município de Águia Branca, fato que expulsaria muitos camponeses da região e se colocou favorável à criação de uma Associação de Preservação Ambiental no local.

A Jornada de Luta do MPA continua hoje e conta com uma audiência na Secretaria Estadual de Agricultura (Seag) e com a entrega de 4 toneladas de alimentos produzidas nas pequenas propriedades dos camponesas e camponesas do MPA para famílias da periferia de Vitória.


Mulheres Capixabas são agredidas ao reivindicarem seus direitos

Março 9, 2007

Batalhão de Missões Especiais e Polícia Militar repelem ato de mulheres na sede do Governo do Estado. 

Após a Marcha de comemoração e protestos do Dia Internacional da Mulher, 08 de Março, realizada ontem em Vitória, um grupo de cerca de 200 pessoas das comunidades indígenas, quilombolas e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), permaneceram acampadas em frente ao Palácio da Fonte Grande, sede do governo do Estado, cobrando uma audiência com o governador Paulo Hartung. 

As manifestantes pediam uma audiência imediata com o governador para discutir uma pauta de reivindicações referentes aos direitos das mulheres e o rumo político e econômico que o governo estadual tem dado ao povo capixaba. Durante a manhã, após uma atividade cultural e uma mesa para a discussão da conjuntura atual do Estado com a ex-deputada Brice Bragato (Psol-ES) a Polícia Militar e o Batalhão de Missões Especiais (BME) impediu a entrada dos manifestantes no Palácio da Fonte Grande por meio da força física. 

Persistência: Após uma série de discussões realizadas na noite anterior para decidir o rumo da manifestação, as entidades lideradas pelo Fórum de Mulheres resolveram permanecer acampadas em frente à sede do governo do Estado, na mesma noite a segurança do Palácio não havia permitido a fixação de acampamento no estacionamento do Prédio. As mulheres fizeram vigília durante a madrugada e a partir das sete da manhã retornaram ao protesto. 

Violência contra a Mulher: Cerca de 30 guardas da Polícia Militar faziam a segurança do prédio não permitindo a passagem de manifestantes. Ao tentarem entrar à força no Palácio, cerca de 70 homens do Batalhão de Missões Especiais (BME) se posicionaram em frente ao prédio e contiveram o ato das manifestantes a pontapés, cotoveladas e golpes de cassetetes. Gilsa Barcelos, do Fórum de Mulheres destacou que “ao tentarmos empurrar a porta para entrar, os policiais do BME avançaram com força bruta agredindo os manifestantes”. Cirléia Tavares, componente do Sindicato dos Trabalhadores
em Educação Pública do Espírito Santo (Sidiupes), com um hematoma no braço, disse não saber de onde veio a pancada, que quando percebeu “haviam vários polícias  deferindo socos e golpes de cassetete”.
 

Perseguição? Uma coisa interessante a se observar nesses atos que vem sendo realizados por entidades e movimentos sociais nos últimos tempos, é como o governo vem reagindo a isso. Nas últimas manifestações estudantis pelo Passe Livre e o decréscimo do preço da passagem, assim como nesta Marcha das Mulheres, não faltaram funcionários do governo estadual tentando fotografar o rosto dos manifestantes e também filmar os atos realizados por grupos organizados. 

 

Por Haroldo Lima – Agência Experimental de Comunicação


Manifestações marcam o Dia da Mulher em Vitória.

Março 9, 2007

Mulheres capixabas saem as ruas para comemorar o Dia Internacional da Mulher e protestar contra descasos do Governo do Estado.

Como nos anos anteriores, o oito de março, Dia da Internacional da Mulher, foi mais que uma data para comemorações, foi um momento de protestos e cobranças para a sociedade capixaba. Reunidas em uma marcha que partiu da Praça de Jucutuquara em direção ao Centro, mulheres e homens de diversos movimentos sociais e outras entidades uniram forças para celebrar e reivindicar políticas públicas, igualdade de direitos e respeito.Desde 1884 quando a americana Susan B. Antonhy solicitou uma emenda na Constituição americana que garantisse o voto feminino que a data é marcada por ações que buscam a igualdade entre os gêneros. À partir de 1911 o Dia Internacional da Mulher começou a ser comemorado nesta data e desde então tem sido referência mundial como um dia de protestos e conquistas. 

Mulheres Unidas: Em Vitória, reunidas pelo Fórum de Mulheres, representantes de várias entidades e movimentos sociais como a Casa da Mulher, a União Brasileira de Mulheres (UBM), o Movimento Sem Terra (MST), o Diretório Central dos Estudantes da Ufes (DCE),  sindicatos, o movimento  de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Travestis (GLBT), comunidades indígenas e quilombolas entre outras levaram para rua cerca de mil pessoas para discutir não só a feminilidade mas também os rumos que o governo estadual dá ao Espírito Santo. Para Isaías Santana, Presidente Conselho Estadual de Direitos Humanos e do Fórum Estadual de Entidades Vivas “a marcha é um grande evento que reúne mulheres do campo e da cidade com alguns segmentos étnicos, uma área colaborativa para se tornar uma comemoração num ato de reivindicação onde se cobram políticas públicas e ação do governo estadual e federal”.Com uma pauta de reivindicações os manifestantes saíram por volta das 14:30h em caminhada pela Av. Vitória em direção à Praça Costa Pereira, no Centro da Cidade. De lá, foram ao encontro do Governador Paulo Hartung, no Palácio da Fonte Grande, sede do governo, com o objetivo de acampar no estacionamento do Palácio enquanto não houvesse uma audiência com o governo estadual. Por volta das 22:30h com uma negativa da segurança do prédio, que não permitiu o acampamento no estacionamento,  e sem conseguir agendar uma conversa com o governador, o movimento resolveu se abrigar em outros locais e retornar na manhã seguinte. Cerca de 60 policias fizeram a guarda do local impedindo a entrada de manifestantes no prédio. 

Terra e Liberdade: Com a forte presença do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e dos Grupos Indígenas do Norte do Estado, a marcha pedia por justiça no campo, pela reforma agrária e a demarcação das terras indígenas de Aracruz. Elzi Sanches do Setor de Frente de Massas do MST ressaltou que “somente a organização das mulheres, do povo, como no dia de hoje, é que se conseguirá nossos projetos adiante e alcançar nossos objetivos”. 

Repudio a Bush: A marcha também trazia mensagens de repudio a vinda do presidente norte americano ao Brasil. Diversas faixas, máscaras e caricaturas de G.W.Bush mostravam a insatisfação do movimento com a visita  do estadunidense. Um boneco confeccionado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE – Ufes)  foi queimado em meio a aplausos e palavras de ordem. 

Por Haroldo Lima